A transição energética brasileira, liderada pela produção de etanol, pode influenciar e promover a transição energética dos demais países da América do Sul? Essa foi a pergunta que o Prof. Luccas Attilio procurou responder em seu artigo intitulado: “Gradual energy transition in South American countries”, publicado na Energy Policy, edição de julho de 2026.
Nele, o professor Luccas Attilio introduz o conceito de transição energética gradual, que refere-se a um cenário no qual o Brasil amplia a produção tanto de etanol quanto de petróleo, mas com o etanol crescendo a uma taxa mais acelerada. A análise empírica baseia-se em dois modelos econométricos: GVAR e SVAR. A amostra abrange 12 países sul-americanos no período de 2002 a 2023. Os resultados indicam que uma transição energética gradual leva a uma maior produção de energia renovável e ao aumento das emissões de carbono na maioria dos países, além de reduzir o desmatamento na Floresta Amazônica e elevar os preços do etanol. Esses efeitos de transbordamento são parcialmente explicados pela integração comercial. A Argentina, principal parceira comercial do Brasil, mostra-se altamente vulnerável aos efeitos da transição energética brasileira. Em contrapartida, o Chile — outro parceiro comercial importante — apresenta baixa vulnerabilidade. A Venezuela, como grande produtora de petróleo, também constitui uma exceção ao padrão geral. Essas conclusões ressaltam a importância das estratégias energéticas nacionais para a compreensão dos efeitos de transbordamento entre países. Por fim, este trabalho serve de alerta quanto às limitações de abordagens graduais para a transição energética. No caso do Brasil, a transição impulsionada pelo etanol mostrou-se insuficiente para reduzir as emissões de carbono, o que pode comprometer as metas ambientais de longo prazo.
Para acessar o estudo ver: Energy Policy

